DESINFORMAÇÃO EM PAUTA NA PESQUISA CIENTÍFICA

 DESINFORMAÇÃO EM PAUTA NA PESQUISA CIENTÍFICA

Por Ana Regina Rêgo

O Coletivo Intervozes lançou na última terça, 27, uma pesquisa intitulada Fake News: como as Plataformas enfrentam a desinformação. O estudo tem como foco principal uma análise sobre as condutas e medidas adotadas ou não, pelas gigantes do ambiente digital no combate à desinformação e como parte do processo, a pesquisa ressalta  o relacionamento atual e intrínseco entre os modelos de negócios das plataformas e a potencialização da visibilidade das narrativas desinformacionais utilizadas como estratégias de monetização por um lado, como também, como estratégias para obtenção de apoio político.

Os autores da pesquisa: Bia Barbosa, Helena Martins e Jonas Valente, integrantes do Intervozes, procuraram descrever as principais medidas adotadas pelo Facebook, Instagram, WhatsApp e Twitter no combate à desinformação, tendo como recorte temporal os dois últimos anos (2018-2020), situando tanto um momento anterior em que o fenômeno da circulação das narrativas desinformacionais já se fazia presente em nível mundial, como ainda, nossa atualidade pandêmica.

O estudo foi realizado a partir de quatro categorias previamente definidas e com as quais os pesquisadores analisaram a relação entre fenômeno social da desinformação e as plataformas digitais. A intencionalidade, segundo os autores, foi observar e analisar a partir do contexto e das regras existentes nas próprias plataformas e que de algum modo  tratam a desinformação. As categorias definidas para a pesquisa foram: 1. Abordagem do fenômeno; 2. Moderação de conteúdo; 3. Promoção de informações e transparência e 4. Medidas correlatas.

Sobre alguns dos resultados principais e intrigantes é válido observar que o Facebook por exemplo, segundo a pesquisa “ Não possui uma política específica nem trabalha com uma definição própria de desinformação. Apresenta as estratégias adotadas contra o fenômeno de maneira resumida nos Padrões da Comunidade. A elaboração de medidas a serem adotadas sobre o tema é realizada pela equipe de “Políticas Globais de Conteúdo””, mas a partir de 2018 e após sanções jurídicas sofridas em vários países como Estados Unidos, Inglaterra e até mesmo no Brasil, segundo os pesquisadores mencionados acima, vem trabalhando para retirar de seu domínio quaisquer iniciativas referentes a discursos de ódio, adotando uma fiscalização sobre vídeos violentos e chegando a restringir até mesmo algumas transmissões ao vivo. Segundo o estudo, a “ plataforma ainda derruba contas falsas, propagadoras de spam ou consideradas de “comportamento não autêntico coordenado”. Procura verificar a autenticidade das contas no momento de sua abertura e mapeia sinais de condutas maliciosas em contas recém-abertas”.

No que concerne ao Instagram como plataforma componente do mesmo conglomerado que o Facebook e liderado por Mark Zukerberger, este mantém de certo modo, os mesmos princípios do Facebook. Já o aplicativo de mensagens WhatApp que também faz parte do mesmo grupo empresarial e que no Brasil  é tão forte quanto as redes sociais digitais, possui direcionamento divergente no que concerne à abordagem do fenômeno da desinformação. Segundo a pesquisa, o aplicativo “não acessa, modera, julga, verifica, bloqueia ou retira qualquer conteúdo, o que é contraditório com a existência de grupos e listas de transmissão que acabam fazendo com que tenha funcionamento de rede social. Não assume o uso frequente da plataforma para desinformação. Seguindo tal entendimento, não possui política, processos e/ou estrutura institucional nem conceito de desinformação definidos”.

Para conhecer mais sobre os resultados da pesquisa acesse o resumo que encontra-se disponível no site do Intervozes no link: https://intervozes.org.br/publicacoes/fake-news-como-as-plataformas-enfrentam-a-desinformacao/

O evento de lançamento pode ser conferido no Canal do Intervozes no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=iAl2Iem-SBM&feature=youtu.be

SOBRE O  INTERVOZES

O Intervozes- Coletivo Brasil de Comunicação Social é uma organização que trabalha pela efetivação do direito humano à comunicação no Brasil.

O Coletivo é formado por ativistas e profissionais com formação e atuação nas áreas de comunicação social, direito, arquitetura, artes e outras, distribuídos em 15 estados brasileiros e no Distrito Federal. Cada associada e associado do Intervozes é, ao mesmo tempo, promotor(a) de ações locais e colaborador(a) na formulação e realização de estratégias nacionais adotadas pelo coletivo.

O Intervozes atua no desenvolvimento de projetos específicos, como também centrado em Telecomunicações e Internet, Rádio Difusão, Direitos Humanos e Comunicação pública e popular.

Também acompanha a agenda do Congresso nacional concernente aos campos da comunicação e cultura e promove diálogos e momentos de interação com a sociedade sobre pautas de grande relevância para o contexto político em que vivemos.

O Intervozes também faz parte da Rede Nacional de Combate à Desinformação-RNCD recentemente lançada.

Conheça o Intervozes: https://intervozes.org.br/

SOBRE A RNCD

É uma iniciativa sinérgica que reúne cerca de 70 projetos, iniciativas, instituições, coletivos, institutos, laboratórios, museus da ciência, grupos de pesquisa, pesquisadores, jornalistas, cientistas e outros que trabalham de alguma forma produzindo informações de qualidade e que estão contribuindo ativamente no combate ao mercado que tem como produto a desinformação, atuando diretamente junto ao fenômeno social estabelecido, objetivando desmistificar e reduzir seu alcance e potência.

Conheça a RNCD: https://rncd.org/

Edison Mineiro

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