Estudo de Harvard sugere que distanciamento social pode continuar até 2022

 Estudo de Harvard sugere que distanciamento social pode continuar até 2022

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Estudo publicado na renomada revista Science em maio do corrente ano e que tem como título Projetando a dinâmica de transmissão do SARS-CoV-2 durante o período pós-pandemia, prevê que o novo coronavírus pode retornar em períodos próximos, assim, considerando que pouco se sabe sobre a proteção imunológica pós-recuperação, nem tampouco sobre as principais influências ambientais e sazonais que influem na transmissão do vírus, os pesquisadores investiram em pesquisas sobre modelos determinísticos de interações plurianuais entre os coronavírus já conhecidos, tendo como território de projeção os Estados Unidos, e desse modo, puderam projetar a dinâmica epidêmica potencial e a possível pressão sobre a capacidade do sistema de saúde para cuidados intensivos nos próximos cinco anos.

A pesquisa disponível no link: https://science.sciencemag.org/content/368/6493/860 e desenvolvida por Stephen M. Kissler e Yonatan H. Grad ambos do Departamento de Imunologia e Doenças Infecciosas, além de  Christine Tedijanto, Edward Goldstein e Marc Lipsitch do Departamento de Epidemiologia, todos da Harvard T.H. Escola de Saúde Pública Chan, Boston, MA, EUA, afirma que “a dinâmica a longo prazo da SARS-CoV-2 depende fortemente das respostas imunes e reações cruzadas imunes entre os coronavírus existentes, bem como o momento da introdução do novo vírus em uma população.

Um cenário é que um ressurgimento do SARS-CoV-2 possa ocorrer no futuro até 2025.

Nesse cenário os pesquisadores afirmam que é “urgente entender o futuro da transmissão da síndrome respiratória aguda grave – coronavírus 2 (SARS-CoV-2)”.

Os cinco cientistas usaram estimativas de sazonalidade, imunidade e imunidade cruzada para o coronavírus humano OC43 (HCoV-OC43) e HCoV-HKU1 usando dados de séries temporais dos Estados Unidos para informar um modelo de transmissão de SARS-CoV-2.

Foram feitas projeções para surtos recorrentes de SARS-CoV-2 no inverno, provavelmente, após a onda pandêmica inicial mais grave. Na ausência de outras intervenções, uma métrica chave para o sucesso é o distanciamento social, sobretudo, se as capacidades de cuidados intensivos forem excedidas.

Para evitar isso, um distanciamento social prolongado ou intermitente pode ser necessário até 2022. Intervenções adicionais, incluindo capacidade ampliada de cuidados críticos e uma terapêutica eficaz, melhorariam o sucesso do distanciamento intermitente e acelerariam a aquisição da imunidade.

Estudos sorológicos longitudinais são urgentemente necessários para determinar a extensão e a duração da imunidade à SARS-CoV-2. Mesmo no caso de eliminação aparente, a vigilância de SARS-CoV-2 deve ser mantida, pois um ressurgimento do contágio pode ser possível nos próximos anos.

Sabe-se que o SARS-CoV-2 pertence ao gênero Betacoronavirus, que inclui o coronavírus SARS-CoV-1, o coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) e dois outros HCoVs, HCoV-OC43 e HCoV-HKU1.

Os coronavírus SARS-CoV-1 e MERS causam doenças graves, com taxas aproximadas de fatalidade de 9 e 36%, respectivamente, mas a transmissão de ambos permaneceu limitada. As infecções por HCoV-OC43 e HCoV-HKU1 podem ser assintomáticas ou associadas a doença leve a moderada do trato respiratório superior; esses HCoVs são considerados a segunda causa mais comum de resfriado comum.

O HCoV-OC43 e o HCoV-HKU1 causam surtos anuais de doenças respiratórias no inverno em regiões temperadas, sugerindo que o clima no inverno e os comportamentos do hospedeiro podem facilitar a transmissão, como é o caso da gripe.

A imunidade ao HCoV-OC43 e HCoV-HKU1 parece diminuir consideravelmente dentro de 1 ano, enquanto a infecção por SARS-CoV-1 pode induzir imunidade de maior duração. Os betacoronavírus podem induzir respostas imunológicas um contra o outro: a infecção por SARS-CoV-1 pode gerar anticorpos neutralizantes contra HCoV-OC43 e a infecção por HCoV-OC43 pode gerar anticorpos reativos cruzados contra SARS-CoV-1.

Embora as investigações sobre o espectro de doenças causadas por SARS-CoV-2 estejam em andamento, evidências recentes indicam que a maioria dos pacientes apresenta doença leve a moderada, considerando o grande número de contaminados em todo o mundo, com ocorrência mais limitada de infecção respiratória grave.

Estima-se que as taxas atuais de mortalidade por casos de COVID-19 estejam entre 0,6 e 3,5%, sugerindo gravidade menor que SARS-CoV-1 e MERS, mas gravidade maior que HCOV-OC43 e HCoV-HKU1. A alta infecciosidade próxima ao início dos sintomas geralmente leves torna o SARS-CoV-2 consideravelmente mais difícil de controlar com intervenções baseadas em casos, como testes intensivos, isolamento e rastreamento em comparação com os coronavírus SARS-CoV-1 e MERS (21).

Para saber mais acesse: https://science.sciencemag.org/content/368/6493/860

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