FALSO: Vídeo afirma que 100% de animais testados com vacinas contra a Covid-19 morreram dois meses após testes

 FALSO: Vídeo afirma que 100% de animais testados com vacinas contra a Covid-19 morreram dois meses após testes

Ratos e macacos teriam sido testados com as vacinas de RNA mensageiro. A mensagem é falsa

As vacinas contra a Covid-19 teriam sido testadas em animais como ratos e macacos e 100% deles morreram após dois meses de testes. A mensagem está sendo disseminada por um vídeo de 1 minuto que circula pelo WhastApp, e que foi enviado à nossa equipe pelo aplicativo Eu Fiscalizo, da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz.

Trata-se de um vídeo curto em inglês, com legendas para português, em que um homem é indagado por uma voz em off sobre como se medicar contra os efeitos das vacinas. O homem responde: “Permita-me uma correção. Como parte da campanha de desinformação, todos foram informados que esta vacina é experimental, que não foi testada, e por aí afora… Isso não é verdade. Ela foi testada. Quando testaram a tecnologia do RNA mensageiro das vacinas, eles primeiro testaram camundongos. E depois de dois meses 100% dos camundongos tinha morrido. Fizeram o mesmo experimento injetando MRN mensageiro em macacos, e tiveram os mesmos resultados”.

A declaração da fonte não identificada é falsa em todas as informações. É falsa a afirmação de que as vacinas de RNA mensageiro – como é o caso da vacina da Pfizer – são experimentais. As vacinas contra a Covid-19 passaram, todas, pelos testes necessários antes de serem aplicadas em seres humanos em larga escala, e a eficácia delas também foi testada para que pudessem ser liberadas pelas agências de controle. Isso significa que elas têm a segurança necessária para serem utilizadas em larga escala. Para entender a diferença entre registro e liberação para uso emergencial das vacinas, confira esta matéria aqui. Sobre a tecnologia do RNA mensageiro, confira esta explicação aqui.

Ao afirmar que são “experimentais”, o vídeo leva à falsa associação entre tomar a vacina e estar participando de um experimento, como se as pessoas fossem cobaias, o que é uma estratégia utilizada pelos que negam os efeitos das vacinas. A desinformação a que se refere a fonte da mensagem não está na afirmativa de que as vacinas não foram testadas, e sim na afirmativa de que elas não têm eficácia.

Imagem do vídeo: é desinformação. Fonte: Captura de tela/WhatsApp

Sobre os números apresentados, eles beiram o absurdo. Não há qualquer notícia de fonte confiável indicando a morte de todas as cobaias testadas com as vacinas de MRA mensageiro, nem com qualquer outro tipo de vacina testada contra a Covid-19. A fonte não apresenta provas do que afirma, ao contrário das fabricantes de vacinas, que têm de prestar contas detalhadas aos órgãos regulatórios dos testes efetuados ao pleitear o registro e o uso de qualquer delas.

É o caso de se perguntar: milhares de cientistas e autoridades governamentais mundo afora teriam aprovado vacinas com resultados 100% negativos para as cobaias? E o que dizer dos números atuais, que mostram o sucesso de todas as vacinas na prevenção da infecção e na queda do número de óbitos? Nesta matéria do G1 você confere a tendência de queda nos óbitos, embora o número de infectados continue crescendo.

Quem faz uma afirmação tem de prová-la, como manda a regra jurídica e também o método científico. Mas no vídeo em análise, o que há são apenas afirmações vagas e absurdas, sem provas e sem referência a qualquer fato concreto, cujo objetivo parece ser apenas chocar e causar pânico.

Ciência em xeque – Nos últimos anos a comunidade científica está sendo confrontada pelas informações falsas que circulam, sobretudo, pelas redes sociais digitais. Ao questionarem o método científico, essas informações colocam em risco a saúde pública, pois as pessoas passam a duvidar de informações óbvias, como a circunferência do planeta e a eficácia das vacinas. Trata-se do fenômeno do negacionismo científico, que tem se colocado como um grande desafio para todos os que buscam a verdade. Neste texto aqui, a coordenadora do NUJOC, professora Ana Regina Rêgo, comenta uma recente pesquisa que aborda a desinformação na ciência ou fake science.

A experiência tem mostrado que a melhor estratégia contra o obscurantismo dos negacionistas é a transparência e o debate franco, com regras claras de conduta das partes envolvidas, assim como a melhor estratégia contra a Covid-19 são as vacinas, o distanciamento social, a higienização das mãos e o uso de máscaras.

O NUJOC já checou muitas informações que envolvem a negação da ciência. Na página do projeto, você também pode conferir textos que discutem a divulgação científica e os desafios de fazer ciência na era das fake news. Quer conhecer um pouco mais? Acesse aqui.

Marcio Granez