Não é possível dizer se Minas Gerais tem, de fato, menos mortes por coronavírus que Alagoas

 Não é possível dizer se Minas Gerais tem, de fato, menos mortes por coronavírus que Alagoas

O Nujoc Checagem é um site parceiro do aplicativo “Eu Fiscalizo” da Fiocruz (disponível para Android e iOS), checando denúncias que são recebidas na plataforma. Recebemos o post abaixo, compartilhado no WhatsApp por um usuário de Alagoas não identificado:

Foto: Reprodução

“Minas Gerais com quase 6 vezes a população de #alagoas tem menos mortes por Covid19”

Após checagem, observa-se que a mensagem contida nesse compartilhamento é, na verdade, inconclusiva. Observando os dados oficiais, o número de mortes em Alagoas é mesmo maior. No último boletim do Ministério da Saúde, divulgado ontem (24) às 19h55, há o registro de 6.214 casos e 316 óbitos em Alagoas, enquanto Minas Gerais registrava 6.668 casos e 226 mortes. Entretanto, por causa da subnotificação, não é possível dizer se Minas Gerais tem, de fato, menos mortes por coronavírus que Alagoas.

“O que será de tão eficaz que Minas fez melhor e ainda sem isolamento?”

Não é verdade que o estado de Minas Gerais não realizou o isolamento social. O governador Romeu Zema, inclusive, anunciou um protocolo de flexibilização do isolamento social em abril.

“O que estarei fazendo em Minas é um protocolo que vai orientar cada prefeito que quiser liberar algumas atividades em suas cidades, inclusive, citando, aquelas que são prioritárias e as menos prioritárias, mencionando áreas do estado onde há mais ou menos disponibilidade de leitos de UTI, informando, diariamente, a quantidade de novos casos e como está a curva da sua cidade ou região. Desta maneira, queremos estar conduzindo a reativação gradual, responsável e segura das atividades econômicas”, disse Zema, em entrevista ao canal CNN Brasil (via Estado de Minas).

——

Analisando o contexto

Há uma série de variáveis que influenciam o sucesso ou fracasso das medidas. O fato de ser uma doença nova, que pouco se conhece e cujos efeitos não têm precedentes na contemporaneidade dificulta até mesmo o trabalho de experientes estudiosos em prever seus desdobramentos e o modo como se comporta em cada cidade. Por isso, é perigoso usar o crescimento do número de casos da Covid-19 em um estado com isolamento como justificativa para não o fazer. Tampouco são precisas comparações entre os estados que têm populações, características e política de enfrentamento diferentes.

Em 23 de abril, esta reportagem do telejornal AL TV (afiliada Rede Globo) mostrou que o isolamento social em Alagoas naquela data era o pior de toda a região Nordeste, ficando abaixo da média nacional. Alagoas tinha um índice de isolamento de 48,3%. O apresentador, na ocasião, comentou: “mesmo com o número de casos aumentando, muita gente insiste em não fazer o isolamento”. Naquele momento, o isolamento não era obrigatório, mas recomendado pelo poder público.

Por outro lado, há evidências de que Minas Gerais seja mais um dos estados onde há subnotificação ou desconhecimento dos casos de coronavírus. Assim, não é possível determinar que há sucesso na forma como o estado enfrenta a pandemia e que tampouco os casos notificados correspondam à realidade. Segundo reportagem do Estado de Minas, de 10 de maio, “a realidade em Minas está mascarada”. A publicação afirma que o “volume de resultados pendentes de confirmação de coronavírus no estado é um dos maiores do país, apontando defasagem nos registros de contaminação e mortes”.

Nesse sentido, a reportagem complementa: “pelas informações transmitidas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) ao Ministério da Saúde (MS), Minas seria o quarto estado com menos mortes proporcionais à população e um dos que menos doentes apresenta. Mas, quando esse número é confrontado pelo ritmo de diagnósticos de casos pendentes, a confiança estatística e o desempenho estadual despencam”.

Além disso, vale ressaltar, o distanciamento social ainda é a melhor forma de combater o avanço da doença. A medida é estimulada por órgãos de saúde e especialistas do mundo todo.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *