Perfil no instagram utiliza matérias jornalísticas fora de contexto para questionar eficácia das vacinas contra a COVID-19

 Perfil no instagram utiliza matérias jornalísticas fora de contexto para questionar eficácia das vacinas contra a COVID-19

O Nujoc recebeu para checagem o perfil no instagram denominado “Reações à vacina do Covid” (@vacinacv19_reacoes) que publica recortes de matérias jornalísticas com o intuito de questionar a eficácia das vacinas contra a COVID-19. As notícias fragmentadas são provenientes de importantes meios de comunicação, como G1 e Folha de São Paulo. Até o presente momento, a conta dispõe de mais 260 publicações e 51,2 mil seguidores. Vale frisar que o perfil foi encaminhado a nossa equipe através do aplicativo Eu Fiscalizo da Fiocruz (Disponível para Android e IOS).

A conta, que descreve na sua biografia não ter propósito político, destaca de modo tendencioso pessoas e personalidades públicas que tiveram reação ou vieram a óbito mesmo com a administração dos imunizantes. Entre os relatos apresentados estão o sambista Nelson Sargento de 96 anos que faleceu de COVID-19, mesmo após tomar as duas doses da vacina. Outra situação exposta é que o ex-presidente José Sarney não desenvolveu anticorpos, apesar de receber as duas doses da vacina CORONAVAC. Nesse sentido, o perfil apenas recorta as notícias, mas não busca respostas e/ou consultar as instituições e órgãos de saúde responsáveis pelas vacinas.

Com informações do Jornal de Brasília, o Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, respondeu a essas questões durante sua participação na CPI da COVID-19. Ele explicou que o índice de indução de anticorpos em pessoas idosas é de 98%. Por isso, não seria correto dizer que 100% dos idosos irão adquirir anticorpos. “Pessoas idosas tem um fenômeno biológico chamado imunossenescência. Os idosos respondem menos na produção de anticorpos em relação aos indivíduos mais jovens. Por isso que não é 100% de soroconversão”, disse o Diretor do Butantan.

“A vacina não é uma proteção absoluta, não é escudo contra a doença e nem contra a mortalidade. Ela é uma proteção relativa. Entram os fatores individuais das pessoas, as comorbidades, vários fatores”, continuou.

Dimas Covas ressaltou que nenhuma vacina é completamente eficaz contra a infecção, mas, sim, contra as manifestações clínicas, sobretudo as mais graves. “A pessoa que se vacina está relativamente protegida, mas tem os fatores individuais que entram se ela eventualmente pegar a infecção, e esses fatores são preponderantes, inclusive, para determinação da gravidade”, finalizou.

Desde o início da vacinação contra a COVID-19, as vacinas têm salvado vidas por todo o mundo. De acordo com a OMS, as vacinas são eficazes uma vez que contêm partes enfraquecidas ou inativadas de um determinado organismo (antígeno) que desencadeia uma resposta imunitária do corpo. As vacinas mais recentes contêm a matriz para produzir antígenos e não o próprio antígeno. Independentemente de uma vacina ser constituída pelo próprio antígeno ou pela matriz para que o corpo possa produzir o antígeno, esta versão enfraquecida não causará a doença na pessoa que recebe a vacina, mas desafia o seu sistema imunitário a responder como o teria feito na sua primeira reação ao verdadeiro agente patogénico.

Algumas vacinas requerem várias doses, separadas por semanas ou meses. Isso, por vezes, é necessário para permitir a produção de anticorpos de longa vida e o desenvolvimento de células de memória. Dessa forma, o corpo fica treinado para combater o organismo causador da doença específica, reforçando a memória do agente patogénico, para o combater rapidamente, numa eventual exposição futura.  

No site da OMS, você também pode encontrar um artigo sobre as etapas e os ingredientes necessários para a produção de uma vacina. Clique aqui.

Resultado positivo da vacinação – Em março, os Estados Unidos registravam menos da metade da média móvel de mortes por COVID-19 em decorrência da aceleração da vacinação.

Já Israel com uma das maiores das taxas de vacinação no mundo, imunizou totalmente 5,13 milhões do total de 9 milhões de habitantes. O número corresponde, portanto, a 56,6% da população. As informações são da plataforma Our World in Data. Com isso, ao final de abril o país não registrou novas mortes por COVID-19 num período de 24 horas pela primeira vez em 10 meses. Atualmente, a média móvel de Israel é de apenas 1 óbito por dia.

No Brasil, apesar da vacinação seguir a passos lentos, já é possível sentir os benefícios desde a aplicação da primeira vacina em 17 de janeiro. Com informações da Agência Brasil, a proporção de mortes de idosos com 80 anos ou mais reduziu pela metade no Brasil após o início da vacinação contra a COVID-19. Os dados constituem um estudo liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O percentual médio de vítimas dessa faixa etária era de 25% a 30% em 2020 e passou para 13% no final de abril.  Quando teve início a imunização, em janeiro de 2021, o percentual era de 28%.

A pesquisa conduzida pela UFPel indica que pelo menos 13,8 mil mortes de brasileiros com 80 anos ou mais em um intervalo de oito semanas foram evitadas. Os dados utilizados na análise foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde e referem-se ao período de 3 de janeiro a 22 de abril. Nessas datas, 171.454 pessoas morreram pelo novo coronavírus no Brasil.

No começo de 2021, a taxa de mortalidade entre pessoas de 80 anos ou mais era 13,7 vezes maior do que para pessoas com zero a 79 anos. De acordo com o estudo, essa relação caiu para 6,9 vezes no início de abril.

Entretanto outra pesquisa realizada pela Universidade de Pelotas ressalta o número de brasileiros que poderiam ter sido salvos, se não houvesse recusa pelo Governo na compra de vacinas. Segundo a BBC Brasil, ao menos 95 mil vidas poderiam ter sido salvas, segundo cálculos conservadores do epidemiologista Pedro Hallal. Ou seja, os números podem ser maiores, mas essas doses de vacinas poderiam evitar no mínimo 1 em cada 5 mortes, se considerarmos que 496 mil pessoas morreram oficialmente de COVID-19 no Brasil até o fim de maio de 2021.

Para chegar a esse número, Hallal explica à BBC Brasil ter se baseado em dados epidemiológicos da pandemia e em dois depoimentos cruciais para a investigação no Senado sobre a condução da pandemia pelo governo Bolsonaro.

Por último, trazemos uma fala da Diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, em coletiva de imprensa realizada no dia 21 de abril. “Cada pessoa em um grupo vulnerável que hesita em tomar a vacina pode se tornar parte das tristes estatísticas, uma das milhares de mortes que ocorrem diariamente devido à COVID-19. As vacinas estão salvando vidas agora e contribuirão para controlar a transmissão em um futuro próximo, quando alcançarmos uma alta cobertura de imunização”, afirmou.

Edison Mineiro