Teste de anticorpos é eficiente para avaliar proteção da vacina contra a COVID-19?

 Teste de anticorpos é eficiente para avaliar proteção da vacina contra a COVID-19?

Circula nos aplicativos de conversa o vídeo de um homem, com a identidade não revelada, que questiona a eficácia da vacina CoronaVac a partir da realização de testes de anticorpos. O relato se baseia na experiência do avô do narrador do vídeo que após a imunização com as duas doses do imunizante da farmacêutica Sinovac realizou um teste de anticorpos e foi detectado apenas 1% de proteção. Vale destacar que o material foi encaminhado para verificação até nossa equipe por meio do aplicativo Eu Fiscalizo (Disponível para Android e IOS).

Entidades sanitárias e científicas já se posicionaram que o teste de anticorpos não funciona para determinar a eficácia da vacina. Com informações do Instituto Butantan, nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA) órgão equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), emitiu uma nota alertando que os testes de anticorpos contra o Sars-CoV-2 não devem ser usados para avaliar se alguém está imune à Covid-19. Ou seja, a detecção de anticorpos contra o novo coronavírus no organismo não deve ser interpretada como proteção.

O teste tem sido amplamente utilizado por pessoas que desejam saber qual o seu nível de imunidade após receberem a vacina. Porém, o FDA afirma que, embora o exame sorológico possa ser utilizado para identificar pessoas que possivelmente foram expostas à Covid-19 anteriormente, são necessários mais estudos para avaliar os resultados em indivíduos vacinados. 

O órgão regulatório reforça ainda que as pessoas devem ter ciência de que um resultado positivo para o teste de anticorpos não significa que elas possuam uma quantidade específica de imunidade contra a infecção pelo novo coronavírus. “Se os resultados do teste de anticorpos forem interpretados incorretamente, há um risco potencial de que as pessoas tomem menos precauções contra a exposição ao SARS-CoV-2”, diz o comunicado.

No Brasil, a própria ANVISA emitiu uma nota técnica sobre o tema, esclarecendo que ainda não existe definição da quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessária para conferir proteção imunológica contra o Sars-Cov-2. Assim, produtos para diagnóstico in vitro não devem ser utilizados para verificar proteção vacinal.

Em entrevista para a Universidade Federal de Sergipe (UFS), Tatiana Rodrigues de Moura, uma das pesquisadoras do Laboratório de Biologia e Imunologia do Câncer e Leishmania (LBICL), do Departamento de Morfologia da referida instituição conta o motivo dos testes não serem recomendados para verificar a resposta vacinal. “A melhor forma de verificar a resposta vacinal é avaliar o coletivo, ou seja, avaliar a redução do número de casos, de internações e de morte. Os motivos por que os testes usados no diagnóstico não devem ser usados para avaliar a resposta vacinal são os seguintes: a) embora a vacinação possa induzir uma imunidade humoral, mediada por anticorpos, ela induz uma imunidade mediada por células, que não é detectada por este tipo de teste; b) o teste sorológico avalia anticorpos contra a proteína N. O sucesso das vacinas pode ser avaliado pela produção de anticorpos contra a proteína S. Ou seja, o teste não avaliaria esses anticorpos de proteção; e c) pode ocorrer ainda uma diminuição natural nos níveis de anticorpos produzidos, ficando abaixo do nível de detecção dos testes laboratoriais”, pontuou.

Edison Mineiro