Vacina contra a Covid-19 não está à venda pela internet

 Vacina contra a Covid-19 não está à venda pela internet

Há duas vacinas em fase de testes em humanos no Brasil. Nenhuma delas foi aprovada até o momento

Circula pelas redes sociais mensagem sobre suposta venda de vacina contra a Covid-19. O texto diz o seguinte: “Esse laboratório da osford Brasil falaram que já TAM usando”. A foto mostra uma pessoa com jaleco branco e estetoscópio segurando um vidrinho onde se lê: “COVID-19 Vaccine”. Em destaque, está escrito: “Parabéns FIOCRUZ!”. A mensagem chegou à equipe do Nujoc Checagem por meio da parceria com o aplicativo Eu Fiscalizo, da Fiocruz.

Fique de olho: não existe vacina contra a Covid-19 à venda. Imagem: Reprodução

O autor da postagem também comenta que o produto está sendo vendido no link da fotografia.

A mensagem é falsa. Não há vacina contra a Covid-19 sendo vendida na internet. Atualmente estão sendo encaminhados testes de pelo menos duas vacinas no Brasil, mas esses testes ocorrem em situação controlada, e estão voltados para profissionais da saúde. Na terça, 21, começaram os testes da vacina chinesa no país, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac.

Também estão previstos testes no Brasil da vacina desenvolvida pela universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca. Os principais veículos de jornalismo brasileiros vêm publicando matérias sobre o assunto, como você pode conferir aqui e aqui.

Erros – Em apenas duas linhas, a postagem apresenta uma sucessão de erros de grafia e de informações falsas. Entre os erros de escrita, temos “osford” por Oxford, “TAM” por estão. Só por isso o leitor já deve ficar atento: quem confiaria sua saúde a uma pessoa com domínio tão precário da escrita?

Já quanto às informações falsas, além da mais grave, sobre a venda de uma vacina que ainda nem foi testada, a mensagem também desinforma ao induzir o leitor a associar a vacina à Fundação Oswaldo Cruz. O Instituto é referência em pesquisas sobre saúde no país, mas não tem nada a ver com a venda da vacina: ele é parceiro da AstraZeneca na produção da vacina. Ao tentar associar a informação falsa ao instituto, a mensagem busca dar ar de credibilidade à desinformação.

Crime – A venda de medicamentos falsos é crime. Além do prejuízo financeiro, ela põe em risco a vida dos que acreditaram na fraude. Por ingenuidade ou excesso de confiança, essas pessoas podem pagar com a vida, deixando de seguir tratamentos comprovados ou envenenando seus corpos com as substâncias presentes nos medicamentos falsos.

Desde o início da pandemia, surgiram diversos boatos sobre drogas supostamente eficazes contra o novo coronavírus, de receitas caseiras a drogas já existentes, como a cloroquina. Nenhuma delas passou nos testes científicos.

A vacina tem sido uma nova esperança na luta contra o vírus, e tudo indica que ela está próxima de ser alcançada. Por isso mesmo ela passou a ser alvo de muita desinformação nas últimas semanas. Algumas dessas mensagens falsas já foram checadas pela equipe do Nujoc: aqui uma matéria que desmente boato sobre a suposta fabricação do vírus pela China, que estaria mancomunada com o governador de São Paulo, João Doria. Aqui outra checagem que desmente fake news com informações falsas sobre a composição das vacinas.

A vacina eficaz contra o novo coronavírus ainda está em fase de testes. Mas a vacina contra a desinformação já existe: a checagem.

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