Vacina da Astrazeneca representa alto risco de trombose?

 Vacina da Astrazeneca representa alto risco de trombose?

O Nujoc recebeu para checagem uma publicação do instagram da página @verum_vitae_ que relaciona casos de trombose com a aplicação do imunizante da Astrazeneca no combate à COVID-19. O material foi encaminhado para verificação por meio do aplicativo Eu Fiscalizo da Fiocruz (Disponível para Android e IOS).

No post, é indicado que 22% dos indivíduos que tiveram reações graves com o aparecimento de trombose vieram a óbito. Ainda em consonância com a postagem, as vítimas da vacina Astrazeneca faziam parte da faixa etária entre 18 e 79 anos. Contudo, a página Verum Vitae não apresenta a fonte de informação, estudo, tampouco o número absoluto de pessoas que morreram por causa do imunizante.

Página Verum Vitae associa casos de trombose com vacina da Astrazeneca. Imagem: Reprodução

A informação divulgada pelo referido instagram é falsa e, portanto, tem o propósito de gerar desinformação e desconfiança no que concerne a eficácia das vacinas. De acordo com a Fiocruz, responsável pelo imunizante da Astraneza no Brasil, o risco do aparecimento de trombose é maior em que teve a COVID-19 do que nas pessoas que se vacinaram.

“Embora a magnitude do risco não possa ser quantificada com certeza, o risco após a Covid-19 é aproximadamente de 8 a 10 vezes o relatado para as vacinas, e cerca de 100 vezes maior em comparação com a taxa da população. O aumento do índice de trombose venosa cerebral com a Covid-19 é notável, sendo muito mais marcante do que os riscos aumentados para outras formas de acidente vascular cerebral e hemorragia cerebral”, diz o estudo. “Os dados de trombose da veia porta (PVT) destacam que a Covid-19 está associada a eventos trombóticos que não se limitam à vasculatura cerebral”, destacou a Fiocruz.

Quanto a administração da segunda dose, a Agência Brasil frisa que não há aumento da chance em ter a forma ara de trombose identificada em alguns pacientes. O estudo foi feito pela própria AstraZeneca e publicado em julho, pela conceituada revista científica The Lancet.

Conforme demostra a pesquisa, a taxa de pessoas que desenvolveram a síndrome após a segunda dose ficou em 2,3 por milhão de vacinados. Na primeira dose, esse índice é de 8,1 por milhão. A conclusão é que a chance de uma pessoa ter esse tipo de trombose depois da segunda dose da vacina é a mesma de uma pessoa que não tomou o imunizante.

Em junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA emitiu comunicado ressaltando o conhecimento dos casos raros de trombose, entretanto reforça que, até o momento, os benefícios das vacinas superam os riscos do uso desses produtos e mantém a recomendação da continuidade da vacinação com os imunizantes, dentro das indicações descritas na bula.

Astrazeneca e casos de trombose

Com informações do Jornal da USP, a renomada revista americana The New England Journal of Medicine foi a primeira a descrever cinco casos de pessoas que receberam a vacina AstraZeneca e que apresentaram quadros clínicos associados à trombose, em um intervalo entre sete e dez dias após a imunização. Posteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) investigou os casos e caracterizou esse evento adverso como a síndrome de trombose com trombocitopenia, ou seja, um quadro em que há a formação de trombos, que podem obstruir veias e artérias, e de redução do número de plaquetas, componente do sangue que participa do processo de coagulação. 

O mecanismo da síndrome ainda não foi completamente esclarecido, porém, foi encontrado no sangue de pacientes com suspeita da síndrome anticorpos anti-PF4, fator presente nas plaquetas, o que pode induzir à trombocitopenia e a um estado de hipercoagulabilidade do sangue.

Contudo, a síndrome é extremamente rara, as estimativas do Reino Unido demonstram que a chance de desenvolver a síndrome é de 1 a cada 250 mil, ou seja, inferior a 0,01%, enquanto as chances de desenvolver trombose durante a infecção da covid-19 são de cerca de 17%. Portanto, os benefícios da vacina superam em muito os riscos. Vacinas, assim como outros medicamentos, são passíveis de contraindicações e reações adversas. Infelizmente, o processo de desenvolvimento não é personalizado, o que pode acarretar efeitos não esperados em alguns indivíduos.

Por último, apresentamos um material produzido pela iniciativa COVID-19 Divulgação Científica da Fiocruz que desenvolveu um infográfico mostrando que a COVID-19, gravidez, tabagismo e o uso de anticoncepcional representam maiores chances de causar trombose do que a vacina.

Edison Mineiro